Tuesday, March 25, 2008

Palavras eternas

Ontem pedi ao André, um jovem brilhante de 13 anos, que me escrevesse um texto sobre o que era para si ler, sobre o que sentia ao escrever… Isto foi o que ele escreveu…
São estas as palavras que irão ter lugar de destaque num trabalho de Investigação em Educação sobre o Estímulo à leitura no 1.º ciclo. Absolutamente brilhante…

O tempo destrói tudo: montanhas, cidades, impérios. Faz com que os homens se esqueçam do que viveram, do que pensaram, do que fizeram. Só as palavras resistem, quais Deuses, imortais, jóias eternas descidas dos Céus. E assim escrevo. Escrevo linhas e linhas, bebo este vinho tão precioso através da ponta fina da caneta que beija o papel.

Escrevo para não esquecer, para aproveitar, para sonhar. Escrevo para sentir o que não senti, para viver os meus sonhos. E quando não resulta, apago as linhas e escrevo de novo.

Se por uma vez, uma única que seja, ler as palavras que desfilam lentamente diante dos meus olhos e as saborear como se fossem um grande fruto suculento que cresce no reino dos Deuses…

Ler, ler, descobrir, voar. Virar a página do papel macio, desvendar os mistérios que alguém passou para o papel. E quando leio, quando sonho o que outros imaginaram, o que outros viveram, quando me descubro a abrir as asas como um anjo e voar sobre as cenas narradas por outros…

Inveja. Admito-o. Tenho inveja daqueles que escrevem melhor. E é isso que me dá forças.

Hei-de escrever como eles, um dia. Em de continuar a pensar, a desejar, a tentar. Hei-de conseguir. Sim. Conseguirei, conseguirei passar para o papel qualquer coisa, construir um templo imenso com palavras sobre qualquer sentimento. Que vivam as memórias do que escrevi, que as minhas palavras sejam eternas. E se elas

forem brilhantes o suficiente para iluminarem alguém, para o encherem de vontade de ler e escrever, para lhe darem forças para tentar, então a minha alma viverá para sempre e eu continuarei a voar.

André, 13 anos
Posted by jo in 14:53:25 | Permalink | Comments (2)